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Era um vez... Um pai... Mas de que adianta ser pai se, para os filhos, você é...
... Um pai bobo...
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... Um pai que não sabe se vestir...
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... Um pai que envergonha os filhos...
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... Um pai que me dá ojeriza...
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... Um pai desacreditado...
E... O pior:
... Um pai que depois de certa idade não têm mais utilidade, porque para os filhos, ele não sabe mais nada e não presta pra mais nada, pois num determinado tempo, ele não tem mais serventia pra eles... os filhos... Pelos quais um pai dá a própria vida se consumindo... Por mais que se faça, nenhum esforço do pai terá algum significado... Nenhum esforço de um pai poderá satisfazer a ganância de um filho.
Um último conselho:
Meus filhos (se assim posso chamá-los).
Sigam suas vidas em paz. Jamais quis ser um entrave para vocês...
Para que se preocuparem comigo?... Não há motivos e nem razões para isso. Se algum dia precisarem me esquecer... Não se punam se tiverem que tomar uma decisão tão fácil como esta, pois, a bem da verdade, nunca fui o pai que vocês mereciam ter tido. Afinal de contas, reconheço que vocês nunca tiveram um Pai.
Acredito que, hoje, vocês têm o que julgam ser melhor para vocês mesmos. O mundo e suas novas amizades têm muito mais a lhes oferecer.
Entretanto, o que eu pensei ter construído... Desmoronou... Foi destruído... Não me pertence mais... A vida nos prepara muitas armadilhas e surpresas e minha ingenuidade não me permitiu enxergar a realidade. Confiei demais e, agora, recebo a minha paga. Recebo o que mereço.
Só vou lhes alertarem para uma coisa, se é que este conselho terá alguma serventia: cuidado com o mundo e, principalmente, com as pessoas que insistirem em dizer que lhes ama. Tal declaração, em 99,9% dos casos, vem seguida do beijo da traição...
SEJAM FELIZES...
Meu pai quando eu tinha...
4 anos: Meu pai pode fazer tudo.
5 anos: Meu pai sabe muitas coisas.
6 anos: Meu pai é mais esperto do que o seu pai.
8 anos: Meu pai não sabe exatamente tudo.
10 anos: No tempo antigo, quando o meu pai foi criado, as coisas eram muito diferentes.
12 anos: Ah é claro que o papai não sabe nada sobre isso. É muito velho para se lembrar da sua infância. Ele não liga muito pra mim mesmo.
14 anos: Não ligue para o que meu pai diz. Ele é tão antiquado! Obedecer ele pra quê? Escutá-lo pra quê? To noutra! Vê se te manca ô velho.
18 anos: Meu pai é mesmo um quadrado, não faz nada pra mim. Como eu me envergonho dele! Tenho que suportá-lo, porque de vez em quando tenho que lhe pedir alguma coisa.
21 anos: Ele? Meu Deus, ele está totalmente desatualizado! Também, só fala a mesma coisa. É muito repetitivo. Na verdade, é um saco ficar perto dele.
24 anos: somente agora que me formei no curso superior posso perceber que o meu pai não sabe nada mesmo.
28 anos: Meu pai entende um pouco disso, mas pudera! Está ficando velho! Coitado! Já está esclerosado.
32 anos: Talvez devêssemos pedir a opinião do papai. Afinal de contas, ele tem muita experiência.
35 anos: Não vou fazer coisa alguma antes de falar com o papai.
40 anos: Eu me pergunto como o papai teria lidado com isso. Ele tem tanto bom senso, e tanta experiência!
45 anos: Meu pai era o meu melhor amigo e, eu, não sabia disso.
50 anos: Só agora posso compreender que na sua ignorância meu pai tinha muito de sábio.
55 anos: Eu daria tudo para que o papai estivesse aqui agora e eu pudesse falar com ele sobre isso. É uma pena que eu não tivesse percebido o quanto era inteligente. Teria aprendido muito com ele.
Já, quase no final da vida: somente as reminiscências do passado me fazem enxergar que ele foi o meu grande herói, a pessoa que mais me amou na vida. Alimentou-me, corrigiu-me e, à sua maneira grotesca, me deu carinho e educação, a ponto de assumir compromissos financeiros que não pôde cumprir. Ele deu a sua vida por mim. Como fui ingrato com ele. Mas, agora, é muito tarde, pois não tenho mais o meu pai: Ele morreu...
Meu nome é Patrícia, tenho 17 anos, e encontro-me no momento quase sem forças, mas pedi para a enfermeira Dane minha amiga escrever esta carta que será endereçada aos jovens de todo o Brasil, antes que seja tarde demais:
Eu era uma jovem "sarada", criada em uma excelente família de classe média alta Florianópolis. Meu pai é Engenheiro Eletrônico de uma grande estatal e procurou sempre para mim e para meus dois irmãos dar tudo de bom e o que tem e melhor, inclusive liberdade que eu nunca soube aproveitar.
Aos 13 anos participei e ganhei um concurso para modelo e manequim para a Agência Kasting e fui até o final do concurso que selecionou as novas Paquitas do programa da Xuxa. Fui também selecionada para fazer um Book na Agência Elite em São Paulo.
Sempre me destaquei pela minha beleza física, chamava a atenção por onde passava. Estudava no melhor colégio de "Floripa", Coração de Jesus. Tinha todos os garotos do colégio aos meus pés. Nos finais de semana freqüentava shopping, praias, cinema, curtia com minhas amigas tudo o que a vida tinha de melhor a oferecer às pessoas saradas, física e mentalmente.
Porém, como a vida nos prega algumas peças, o meu destino começou a mudar em outubro de 1994. Fui com uma turma de amigos para a OKTOBERFEST em Blumenau.
Os meus pais confiavam em mim e me liberaram sem mais apego. Em Blumenau, achei tudo legal, fizemos um esquenta no "Bude", famoso barzinho na Rua XV. À noite fomos ao "PROEB" e no "Pavilhão Galego" tinha um show maneiro da Banda Cavalinho Branco.
Aquela movimentação de gente era trimaneira"". Eu já tinha experimentado algumas bebidas, tomava escondido da minha mãe o Licor Amarula, mas nunca tinha ficado bêbada.
Na quinta feira, primeiro dia e OKTOBER, tomei o meu primeiro porre de CHOPP. Que sensação legal curti a noite inteira "doidona", beijei uns 10 carinhas, inclusive minhas amigas colocavam o CHOPP numa mamadeira misturado com guaraná para enganar os "meganha", porque menor não podia beber; mas a gente bebeu a noite inteira e os otários" não percebiam.
Lá pelas 4h da manhã, fui levada ao Posto Médico, quase em coma alcoólico, numa maca dos Bombeiros. Deram-me umas injeções de glicose para melhorar. Quando fui ao apartamento quase "vomitei as tripas", mas o meu grito de liberdade estava dado.
No dia seguinte aquela dor de cabeça horrível, um mal estar daqueles como tensão pré-menstrual. No sábado conhecemos uma galera de S. Paulo, que alugaram um ap" no mesmo prédio. Nem imaginava que naquele dia eu estava sendo apresentada ao meu futuro assassino.
Bebi um pouco no sábado, a festa não estava legal, mas lá pelas 5:30 h da manhã fomos ao "ap" dos garotos para curtir o restante da noite. Rolou de tudo e fui apresentada ao famoso baseado "Cigarro de Maconha", que me ofereceram. No começo resisti, mas chamaram a gente de "Catarina careta", mexeram com nossos brios e acabamos experimentando. Fiquei com uma sensação esquisita, de baixo astral, mas no dia seguinte antes de ir embora experimentei novamente. O garoto mais velho da turma o "Marcos", fazia carreirinho e cheirava um pó branco que descobri ser cocaína. Ofereceram-me,mas não tive coragem naquele dia.
Retornamos a "Floripa" mas percebi que alguma coisa tinha mudado, eu sentia a necessidade de buscar novas experiências, e não demorou muito para eu novamente deparar-me com meu assassino "DRUGS".
Aos poucos, meus melhores amigos foram se afastando quando comecei a me envolver com uma galera da pesada, e sem perceber, eu já era uma dependente química, a partir do momento que a droga começou a fazer parte do meu cotidiano. Fiz viagens alucinantes, fumei maconha misturada com esterco de cavalo, experimentei cocaína misturada com um monte de porcaria.
Eu e a galera descobrimos que misturando cocaína com sangue o efeito dela ficava mais forte, e aos poucos não compartilhávamos a seringa e sim, o sangue que cada um cedia para diluir o pó. No início a minha mesada cobria os meus custos com as malditas, porque a galera repartia e o preço era acessível. Comecei a comprar a "branca" a R$7,00 o grama, mas não demorou muito para conseguir somente a R$ 15,00 a boa, e eu precisava no minimo 5 doses diárias. Saía na sexta-feira e retornava aos domingos com meus "novos amigos".
Às vezes a gente conseguia o "extasy", dançávamos nos "Points" a noite inteira e depois... farra! O meu comportamento tinha mudado em casa, meus pais perceberam, mas no início eu disfarçava e dizia que eles não tinham nada a ver com a minha vida... Comecei a roubar em casa pequenas coisas para vender ou trocar por drogas... Aos poucos o dinheiro foi faltando e para conseguir grana fazia programas com uns velhos que pagavam bem. Sentia nojo de vender o meu corpo, mas era necessário para conseguir dinheiro. Aos poucos toda a minha família foi se desestruturando.
Fui internada diversas vezes em Clínicas de Recuperação. Meus pais, sempre com muito amor, gastavam fortunas para tentar reverter o quadro. Quando eu saía da Clínica agüentava alguns dias, mas logo estava me picando novamente. Abandonei tudo: escola, bons amigos e família.
Em dezembro de 1997 a minha sentença de morte foi decretada; descobri que havia contraído o vírus da AIDS, não sei se me picando, ou através de relações sexuais muitas vezes sem camisinha. Devo ter passado o vírus a um montão de gente, porque os homens pagavam mais para transar sem camisinha.
Aos poucos os meus valores, que só agora reconheço, foram acabando, família, amigos,pais, religião, Deus, até Deus, tudo me parecia ridículo. Meu pai e minha mãe fizeram tudo, por isso nunca vou deixar de amá-los. Eles me deram o bem mais precioso que é a vida e eu a joguei pelo ralo.
Estou internada, com 24 kg, horrível, não quero receber visitas porque não podem me ver assim, não sei até quando sobrevivo, mas do fundo do coração peço aos jovens que não entrem nessa viagem maluca... Você com certeza vai se arrepender assim como eu, mas percebo que é tarde demais pra mim.
OBS.: Patrícia encontrava-se internada no Hospital Universitário de Florianópolis e a enfermeira Danelise, que cuidava de Patrícia, veio a comunicar que Patrícia veio a falecer 14 horas mais tarde depois que escreveram essa carta, de parada cardíaca respiratória em conseqüência da AIDS. Por favor, repassem esta carta. Este era o último desejo de Patrícia.
SE VOCÊ LEU TODO CONTEÚDO DESTA CARTA, NÃO FOI POR ACASO. COPIE E ENVIE A TODOS OS SEUS AMIGOS. ISSO SIGNIFICA QUE VOCÊ FOI ESCOLHIDO PARA AJUDAR ALGUÉM!